Plataforma oferece assessoria jurídica gratuita a mulheres vítimas de violência doméstica

Inspirada na personagem bíblica Raquel e na história de vida da idealizadora, a plataforma ajuda mulheres que sofrem violência a reescreverem sua história!


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Diante do aumento assustador de casos de feminicídio no país, a plataforma Raquel Ajuda nasce para ajudar mulheres vítimas de violência doméstica a reescreverem sua história. Idealizada pela advogada Isadora Tavares, a plataforma oferece assessoria jurídica gratuita e sob total sigilo.

Raquel é o nome da personagem bíblica que pediu a Deus para que pudesse ter filhos, e quando finalmente os teve, morreu no parto. Inspirada na sua história, a plataforma quer libertar a mulher que está presa às vontades do parceiro, mostrando que amor é diferente de submissão.

“Essa noção de relacionamento [que confunde amor com submissão] precisa mudar se quisermos dar um basta na epidemia da violência contra mulher”, disse Tavares em entrevista ao Razões para Acreditar.

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A advogada lembra que Raquel também foi seu primeiro nome de registro: dado pelas freiras do hospital onde ela nasceu. “Minha mãe biológica foi vítima de violência sexual e por essa razão não chegamos a nos conhecer, pois logo fui encaminhada para a adoção. E depois disso meu nome de registro foi mudado.”

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Foto: @raquelajuda

As mulheres não precisam fazer cadastro para usufruírem da plataforma: o atendimento é feito de forma anônima, e nenhum dado da visita fica registrado no sistema. Já as advogadas devem se cadastrar por meio de um questionário online.

“As consultorias acontecem dentro da plataforma e assim podemos garantir o sigilo das informações trocadas. Também implementamos um horário específico para atendimento emergencial e gratuito, da 1h da manhã até as 4h da manhã, pois nesse período não contamos com redes de apoio públicas à mulher que sofreu algum tipo de violência, seja física ou sexual”, explica Isadora.

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A plataforma ganhou a 2ª colocação no Global Legal Hackaton 2019, evento mundial de programação e criação de soluções para melhorar o acesso à Justiça no mundo​. Foto: @raquelajuda

O objetivo é oferecer uma orientação jurídica de qualidade ao maior número possível de mulheres em situação de violência. Também estão sendo criadas parcerias com advogadas especialistas no assunto para produção artigos com linguagem acessível, sem o famoso “juridiquês”, que serão publicados no Blog da Raquel, onde a usuária poderá buscar tópicos relacionadas à orientação jurídica que ela precisa.

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“Outra meta a curto prazo é possibilitar à jovem advogada, que acabou de adentrar no mercado competitivo da advocacia, uma chance de adquirir experiência e melhorar a própria renda, pois sabemos que ainda há muita disparidade salarial entre homens e mulheres que ocupam os mesmos cargos. Nossa intenção é ajudar as mulheres a saírem do ciclo da violência, mas também buscamos alavancar a carreira das jovens advogadas.

Diferentes barreiras para superar o mesmo problema

A violência contra a mulher está enraizada em todas as camadas sociais e tem várias facetas, conta Tavares. Do abuso psicológico, quase imperceptível, ao estupro marital, quando o estupro ocorre dentro do relacionamento.

“A mulher economicamente frágil está mais vulnerável, pois geralmente conhecem menos os seus direitos. O medo de fazer a denúncia está diretamente ligado ao medo de perder a casa e os filhos. A mulher com mais recursos tem condições de procurar uma representação e uma consultoria jurídica. Mas a vergonha social e a culpa ainda são barreiras a serem enfrentadas. O que falta não é coragem para a denúncia, mas a segurança após fazer a denúncia.

Feminicídio começa a ser contabilizado apenas em 2015

Não faz dez anos que os casos de feminicídio no país são contabilizados. A Lei do Feminicídio, que tornou o crime hediondo, foi criada apenas em 2015. Mas só a Lei não resolve o problema, afirma a advogada.

“Ainda existe uma subnotificação em alguns estados brasileiros, mas como antes não havia levantamento específico por falta de tipificação penal, era muito difícil contabilizar as mortes. A partir de 2015, com a Lei, pudemos observar o número aproximado da realidade. Tem crescido cada vez mais, infelizmente, pois apenas a Lei não é suficiente para educar o cidadão. É necessário um trabalho cultural muito grande para mudarmos a mentalidade machista da nossa sociedade.”

Clique aqui para acessar a plataforma e siga a Raquel no Instagram e Facebook.

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crédito da foto de capa: Gerd Altmann/Pixabay

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