Como a realidade aumentada está levando as crianças para brincar na rua

A impressão nas reuniões familiares atuais é quase sempre a mesma: dotadas de tablets e smartphones de última geração, as crianças dedicam horas e mais horas em joguinhos, deixando para trás espaços como parquinhos e playgrounds. Segundo pesquisas, essa impressão virou estatística. Um estudo mostrou que sete em cada dez crianças nos Estados Unidos usam tablets e smartphones, enquanto outra pesquisa diz que bebês de seis meses utilizam já os gadgets. Aliado a isso, um outro estudo apontou que uma a cada nove crianças britânicas não visitou um parque, praia ou ambiente natural no último ano. Buscando melhorar esses números, algumas empresas de tecnologia estão usando os recursos disponíveis de realidade aumentada para levar os pequenos de volta às ruas.

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Em um artigo do The Independent, Dimitri Christakis, diretor do Centro de Pesquisa de Crianças de Seattle, diz que os pequenos estão usando os dispositivos de maneira compulsiva. “Sabemos que há um problema no uso de internet em crianças mais velhas e adolescentes. Mas isso tem acontecido com crianças mais jovens também”, diz. Uma pesquisa mostrada pelo The Guardian evidencia as consequências desse uso infantil da tecnologia: 75% das crianças britânicas passam menos tempo em ambientes abertos do que prisioneiros.

É fundamental que as crianças conheçam e experienciem por muito tempo e de diversas formas não só a linguagem tecnológica, mas também outras linguagens, tais como a oral, corporal, visual, sonora, escrita, plástica, entre outras que contribuem significativamente para seu aprendizado e complementam sua formação proporcionando desenvolvimento integral.

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Mesmo dentro de casa, os responsáveis precisam acompanhar seus filhos no que se refere ao acesso a internet, monitorando o que fazem, controlando o tempo de conexão e ainda, sendo referência de uso de tecnologia para seus filhos.

Segundo uma pesquisa apresentada no Quartz, apenas um ano depois do iPad ser lançado, apenas 10 % das crianças mais novas usavam tablets ou smartphones. Esse número quadriplicou. Ou seja: é difícil frear a projeção do uso de gadgets pelas crianças. Algumas empresas estão tentando usar recursos disponíveis para misturar a realidade virtual e real, levando crianças para fora de casa de novo e tentando desvencilhar elas do vício da tecnologia.

Existem várias iniciativas que podem levar crianças para fora de casa. Além de incentivar a brincadeira à moda antiga, os apps também fazem as crianças se relacionarem entre si e trabalharem em equipe.

Hybrid Play

A Hybrid Play é uma startup espanhola que tem como objetivo criar jogos com realidade aumentada em parquinhos. A iniciativa se baseia em um sensor e um aplicativo. Para brincar, é necessário colocar o sensor na atração: gangorra, balanço, gira-gira, escorregador e outros. Depois disso, é só abrir o app e escolher um jogo compatível com aquele brinquedo.

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Por exemplo, dois jogadores ficam na gangorra e outro fica olhando pelo celular. Quando as crianças na gangorra se mexerem, o personagem virtual também vai se mexer e quem está fora deve avisar quando desviar de um obstáculo ou algo do tipo.

Biba

A Biba é mais um projeto que tem como intenção levar a realidade aumentada aos parquinhos. Mas, ao invés de sensores, a empresa que desenvolveu o game fez ativação em alguns parques nos Estados Unidos. O que os pais devem fazer é buscar quais são esses locais e baixar o aplicativo. Com o app no celular, o usuário deve tirar fotos dos símbolos do Biba espalhados pelo local para que o app faça o reconhecimento e seja possível brincar.

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O funcionamento é igual ao Hybrid Play: enquanto algumas crianças vão para o brinquedo, outra fica fora orientando os amigos. “É uma maneira fantástica de juntar os jogos online que eles amam com as brincadeiras ativas”, diz Lee Shorten, gerente de produto, em vídeo de divulgação do app.

No PlayBiba, a empresa fez uma ativação em alguns parques da cidade e crianças podem brincar com realidade aumentada

Lil Monkey

Além das iniciativas direcionadas a realidade aumentada, algumas fabricantes de jogos físicos estão atentos para esse mercado. A Lil Monkey é uma delas. A empresa fez um brinquedo de montar para a criança escalar que é interativo. Ela criou um aplicativo que junta o brinquedo de montar com um game. Basta a criança se aproximar do brinquedo com o tablet em mãos, que irá surgir um jogo.

Caso a criança chegue muito perto do brinquedo de montar, o game não funciona, para que a criança também vá brincar fisicamente caso canse do app.

Pokémon Go

O tradicional jogo dos monstrinhos também ganhou espaço na realidade aumentada. No Pokémon Go, os usuários podem capturar os pokémons em diferentes áreas. A ideia é que crianças e adolescentes possam capturar os Pokémons observando em um aplicativo onde que os bichinhos estão no mundo real.

Os famosos monstrinhos vão deixar de estar apenas no mundo virtual e poderão ser “capturados” no mundo real

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