Travesti é aprovada em 1º lugar em universidade federal

O preconceito contra pessoas transexuais e travestis é um dos maiores obstáculos para a sua inserção social em diferentes esferas. A aprovação da travesti Amanda Palha, 28 anos, em primeiro lugar pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada) no curso de Serviço Social da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) é um tapa na cara da sociedade, que associa essas pessoas à prostituição, criminalidade, drogas, etc., e não acreditam que elas possam frequentar esse tipo de espaço.

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Amanda compartilhou a conquista no Facebook na segunda-feira (18):

Aprovada! <3(e em 1º lugar o.O )

Publicado por Amanda Palha em Segunda, 18 de janeiro de 2016

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“Eu não via muito sentido em fazer uma faculdade”, disse em entrevista ao HuffPost Brasil. “A gente sabe que o mercado de trabalho é fechado para gente, independente de ser formada ou não.”

Amanda não pretendia continuar os estudos depois de concluir o ensino médio, mas mudou de ideia com o tempo. A escolha do curso foi influenciada por um emprego na área de serviço social em São Paulo, ajudando pessoas em situação de rua.

“Foi a primeira vez que uma carreira que me fez falar, ‘nossa, para isso eu estudaria. Me daria tesão para fazer uma faculdade’. Isso foi fundamental”, explica.

“Nos últimos dois, três anos, comecei a prestar o vestibular, mas me esforçando mesmo, sem muito sucesso. Até passei para a segunda fase da Fuvest no ano passado, mas acabei tendo uma crise de pânico e não fui fazer a prova.”

Ainda em 2015, Amanda fez um curso de formação política que foi importante na prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que permite concorrer a vagas no ensino superior pelo Sisu.

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Amanda pretende seguir carreira acadêmica, fazer mestrado e doutorado após a graduação. “Eu tenho muito interesse em pesquisa. Tenho bastante proximidade com estudos de economia política e gênero”, disse. Ela tem muitos planos:

“Os estudos de gênero carecem de uma perspectiva contemporânea das questões de transexualidades e travestilidade. Desenvolver esse conteúdo pode ser muito benéfico para que a gente possa pensar a situação política dessa população de outra forma. E na atuação profissional de fato, porque a gente sabe que transexuais são parte significativa da população de rua. A atuação profissional de assistentes sociais bem preparados para lidar com a questão é fundamental. Isso faz um diferencial gigante.”

A aprovação para Amanda não é exatamente uma vitória, mas o começo de um trajeto.

“Ela pode ser uma vitória para nossa população a partir do que a gente vai fazer com isso. A mera inclusão de pessoas trans na faculdade não significa muita coisa se existir isoladamente”, explica.

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“O que pode efetivamente provocar mudança é o que essas pessoas [trans] que estão entrando na faculdade vão fazer com a ocupação desse espaço, produzir conhecimento para nossa população, capacitar profissionais que lidem com nossa população.”

“Sou bastante crítica a respeito disso. O que faz diferença é o que a gente faz dentro espaço. Por isso que eu não acho que é uma vitória ainda, é um começo. A partir daí, começa a batalha de verdade nesse espaço. E, talvez, as outras vitórias venham. Por enquanto, é um começo de trajeto.”

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