Trocas de cartas cria laços afetivos entre idosos e crianças

Mais do que uma simples troca de experiências, as cartas proporcionaram uma troca intensa de carinho e afeto entre duas gerações separadas no tempo por quase um século.

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Segundo o jornal Folha de S. Paulo, durante dois meses, 19 idosos de um prédio residencial de Pinheiros, em São Paulo (SP), receberam e enviaram cartas para 19 estudantes de 7 a 9 anos do colégio Santa Amália.

“O idoso tem um ganho de autoestima ao transmitir conhecimento, tem uma oportunidade de criar uma relação nova com alguém de uma geração diferente”, diz Rosa Yuka Sato Chubaci, do curso de gerontologia da USP (Universidade de São Paulo), idealizador do projeto.

Já para a coordenadora da escola, Adriane Ideta, projeto também ajudou as crianças a praticarem um gênero textual com o qual elas não tinham familiaridade, e puderam obter mais informações sobre as necessidades e vontades das vovós e dos vovôs.

Leia também: Em uma experiência inspiradora, crianças transformam o dia a dia de um asilo em SP

Os temas das cartas foram selecionados previamente: uma apresentação do autor e de sua família, um relato sobre momentos inesquecíveis e planos para o futuro. As correspondências foram enviadas primeiro pelas crianças, que usaram pseudônimos.

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Não estava nos planos um encontro presencial entre as duas gerações, mas a vontade delas era tão grande, que, no final de abril, uma festa no Lar San’ana reuniu as crianças e os idosos, num dia que selou para sempre a amizade deles com muitos abraços, beijos e lágrimas de felicidade.

“Minha mãe só falava na Paz [apelido usado por Daniela] e queria demais conhecê-la. Não imaginei que as cartas seriam algo tão relevante como se tornaram: estímulos de valorização da vida e criação de respeito entre gerações”, conta Maria Angélica Giannini Guglielmi, 53, filha de dona Angelina.

A mãe da menina “Paz”, Cirlei Oliveira Zanatta, diz que a filha não tem muito contato com pessoas idosas. O seu únivo avô mora longe de São Paulo. “No dia de conhecer a dona Angelina, mesmo não tendo ideia de como ela era fisicamente, a Daniela a reconheceu entre outras pessoas. Foi algo inesquecível. Elas criaram um vínculo verdadeiro”, afirma.

Apesar do projeto ter terminado, as crianças e os idosos continuam trocando mensagens, todas escritas à mão. E, agora, também há envio de presentes e visitas às vovós e vovôs.

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