Uma carta de 2008 sobre como encarei o bullying que sofria na escola

Por Nylo Bimbati

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03 de maio de 2008…

Um dos meus maiores problemas em ir à escola não era e nem é a grande preguiça de estudar ou coisa do tipo.
Meu maior medo é quando “eles” querem ser engraçados.
“Eles”, os valentões, os mais bonitos da sala, os mais fortes e unidos.
A maneira  como vivem, pra mim, é indiferente. Não me importo.
O que me machucava e até hoje machuca, é o simples fato de que eu sou o motivo da graça.
A cada cinco minutos, sou obrigado a ouvir e ver uma sala de 40 alunos dando gargalhadas ao ouvirem o meu nome, sendo pronunciado de forma banal e satirizada.
Eu jurei a mim mesmo que me calaria. De nada adiantaria me irritar por tal motivo.
Mas dói. Dói muito.

Me sinto um lixo podre, fraco e inútil que mal consegue se defender.
Às vezes, no momento da humilhação eu olho fixamente para cada um deles e imagino as cabeças rolando, mãos e pés leprosos, câncer por toda parte da boca imunda destes vermes.

Mas depois, eu olho de novo, olho pra mim e vejo que não preciso me vingar ou tomar atitude nenhuma.

Um dia, todos vão pagar por isso. Seja com seus filhos, que serão lindos, leves e soltos como eu (o que pra eles seria terrível!) ou com seus casamentos desgraçados e infelizes, ou até mesmo com a pobreza, mas a infelicidade os cercarão. E não escaparão. Porque isto NÃO é uma praga. Eles estão escolhendo assim.

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Aqui se faz, aqui se paga. Quem planta, colhe.
Eu não farei nada. A vida vai tratar disso.
E como ficarei vendo todas essas coisas?
Indiferente. Nem feliz, nem triste.
Afinal, o que eu os causei pra ser tão perseguido assim?
Não sou nenhuma Madre Tereza, mas também não sou maldoso com as pessoas a ponto de persegui-las.
O bullying deixa marcas pra toda vida.
E uma coisa eu digo:

Eles já estragaram a minha infância.
Não vou deixar que façam o mesmo com meu futuro.

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Este texto um tanto imaturo foi escrito por mim, no meu último ano do ensino médio.
Por incrível que pareça, até o último ano de estudo tive que lidar com o preconceito e o então, agora definido, “bullying”.
Eu já fui tocado de maneira ofensiva por alguns garotos na segunda série que, ao fazerem isso, me ameaçavam. Então, além da vergonha, eu também tinha medo de contar às professoras.

Foto de capa: @thiegogomesp

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