Amigos reciclam uniformes usados em negócio que empodera costureiras

O gestor ambiental Jonas Lessa, 26, e o biólogo marinho Lucas Corvacho, 29, são amigos de infância. Eles se conheceram na praia de Paúba, em São Sebastião (SP), mas a amizade se fortaleceu em 2012. Em maio de 2013, Jonas começou a trabalhar na empresa do pai de Lucas, que desenvolve e confecciona uniformes.

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Foi na empresa do pai de Lucas que a ideia de criar a Retalhar, um negócio social que transforma resíduos de tecidos, como uniformes usados, em matérias-primas para novos produtos, empoderando cooperativas de costureiras, começou a ganhar forma. A Retalhar foi criada em dezembro de 2013, depois que alguns clientes da empresa do pai de Lucas pediram soluções para o descarte de uniformes antigos.

Como os pedidos não paravam de chegar, o nome e a identidade da empresa foram definidos às pressas. O negócio começou a se estruturar, de fato, quando a dupla de empreendedores conheceu a Rede Papel Solidário, um instituto que ajuda iniciativas do terceiro setor a se estruturarem, em janeiro de 2014.

Alguns meses depois, em setembro de 2014, Jonas fez um curso de Responsabilidade e Empreendedorismo Social. Durante o curso, o gestor ambiental conheceu outros empreendedores sociais e desenvolveu um plano de negócios para a Retalhar, que foi premiado com um capital de R$ 20 mil, uma viagem para o Peru pra conhecer outros negócios sociais e incubação da NESst.

Essa experiência foi um divisor de águas na trajetória recente da Retalhar. Desde então, a empresa impediu que cerca de 15,7 toneladas de tecido fossem aterradas ou incineradas. Em outras palavras, isso significa uma economia na emissão de 231,2 toneladas de carbono, principal “vilão” do aquecimento global.

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Hoje, o portfolio de clientes da Retalhar conta com empresas de pequeno e grande porte, como a FedEx, TAM, Odebrecht, Leroy Merlin e concessionárias de rodovias paulistas estaduais. Os uniformes dos clientes são transformados em brindes, mantas acústicas e cobertores pelas mãos de 33 costureiras de bairros periféricos de São Paulo. Mais do que oferecer uma solução ambiental para o descarte dos uniformes, numa tacada só, Jonas e Lucas empoderam e melhoram a qualidade de vida dessas mulheres.

Leia também: Já imaginou pavimentar ruas com plástico retirado do oceano? Será possível ainda este ano

Mas, a dupla de empreendedores já planeja alçar novos voos. Eles têm o desejo de um dia desenvolver algo de alta costura a partir de resíduos têxteis, o que seria uma nova fonte de lucro da empresa. Aumentar a margem de lucro, no entanto, não é a principal preocupação da Retalhar, pelo contrário. A vontade de Jonas e Lucas de fazer investimentos na área social da Retaliar é ainda maior. Eles planejam oferecer cursos de aperfeiçoamento para as costureiras parceiras, cursos de gestão para os filhos delas e abrir uma linha de pesquisa ligadas ao negócio, o que vai ajudar a dar ainda mais dignidade a esses trabalhadores. Quanta coisa legal, não é mesmo? 😉

Crédito de foto: Arquivo pessoal

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