Histórico: Universidade Federal de Goiás forma a primeira doutora surda

Neste ano, mais um passo à frente foi dado em prol da acessibilidade. A Universidade Federal de Goiás formou a primeira doutora surda na história da instituição. A economista e gestora governamental Elcileni de Melo Borges, de 45 anos, apresentou uma tese sobre as mudanças urbanas do Estado nos últimos 11 anos.

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Escute essa história incrível da Elcileni! Clique no play acima!

Integrante da equipe do Observatório das Metrópoles, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, ela tem bastante experiência em estudos urbanos e habitacionais. O trabalho apresentado, “Habitação e Metrópole: transformações recentes na dinâmica urbana de Goiânia”, teve pesquisas feitas em sete municípios locais para identificar os impactos na reconfiguração urbana da metrópole goianiense entre 2005 e 2016. “Foi quando se viu aflorar uma nova periferia e novos padrões de segregação residencial e socioespacial”, justificou ela, em comunicado da UFG.

A surdez da doutoranda surgiu aos 27 anos, após a descoberta de um tumor no nervo auditivo. Depois de passar por uma cirurgia, ficou com deficiência auditiva bilateral. Inserida no Programa de Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Estudos Socioambientais (PPGeo/Iesa), a pesquisadora frequentou as atividades durante quatro anos e teve uma mãozinha amiga para ajudar na conclusão dos estudos.

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Uma aluna ouvinte transcrevia simultaneamente o que era dito em sala de aula, presencial ou virtual, para que Elcileni acompanhasse. Segundo comunicado da Universidade, a alternativa deu bons resultados. “Usando a plataforma Google Docs, eu conseguia ler de forma instantânea. Era como se fosse um ‘closed caption’. Com isso, obtive aproveitamento suficiente em todas as disciplinas, disse a doutora.

A comunicação entre a banca e a aluna durante defesa da tese também aconteceu por meio de plataformas multimídia, incluindo até mesmo a participação de professores de São Paulo e Portugal. Ela é a segunda pessoa surda a se formar na pós-graduação da UFG. A primeira foi Renata Garcia, que concluiu Mestrado em Ciências da Saúde em 2016.

Elcileni afirmou ainda que a tecnologia foi de grande valia até mesmo para seu lado pessoal, aumentando sua segurança e confiança. A experiência prática me ajudou a vencer o medo de me expor ao público e me possibilitou o contato com o instrumental e a temática da pesquisa, dando maior segurança para realizar apresentações orais em seminários nacionais e até internacionais – como por exemplo, o estágio doutoral realizado no Instituto de Geografia e Ordenamento Territorial – IGOT, da Universidade de Lisboa”.

Com força de vontade, recursos tecnológicos e bons parceiros de estudos, a gente pode chegar longe, não é?

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Fotos: Adriana Silva/UFG

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