Comunidade online ajuda pai que descobriu por acidente que o filho é gay


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Muitos pais não sabem o que fazer quando descobrem por conta própria que o filho é gay. Mesmo com a intenção de demonstrar seu amor e seu apoio à sexualidade do filho, muitas vezes sentem-se preocupados em respeitar a privacidade do filho, em não apressar um processo de descoberta que é muito importante para o próprio jovem, nem constrangê-lo ainda mais numa fase que já é cheia de momentos constrangedores na vida dos dois.

Um pai, que prefere permanecer anônimo, foi buscar conselhos sobre como proceder nesse caso num post no fórum Reddit há duas semanas, entitulado “Eu descobri que meu filho de 13 anos é gay… Ele não me contou, mas eu o apoio. O que posso fazer?”. Nele, sob o nicknameHeMeYou, ele explica como o histórico de buscas do browser revelou os anseios do filho quanto à própria sexualidade:

Tenho 38 anos, e sou um pai solteiro de um garoto de 13 anos, 14 daqui a 4 meses. Outro dia eu pedi o iPad dele emprestado, e ele deixou que eu o usasse. Depois da primeira busca que eu fiz no google, eu percebi que ele havia esquecido de apagar seu histórico, e várias das buscas que ele realizava seguiam a linha “Sou gay, o que faço agora?” etc.

Eu o amo não importa o gênero que ele ama, para falar a verdade quando eu era pouco mais velho que ele eu tive alguns lances com outros caras, o que meu filho não sabe, então eu o apoio 100%. Ele me parece um pouco deprimido nos últimos tempos, não tem se comportado de maneira tão alegre quanto é de costume, e eu quero desesperadamente contar para ele que eu o amo não importa qual seja sua sexualidade.

Quais são minhas opções? Devo esperar até que ele me conte? Devo levantar essa bola?

Estou preocupado de que, se eu não levantar essa bola, ele vai continuar se preocupando sobre isso sem necessidade… se é que isso faz sentido.

Obrigado.

Centenas de usuários do Reddit fizeram sugestões sobre como lidar com a questão. “Procure no Google ‘como contar a meu filho que eu o amo e o apoio não importa o que aconteça’ e deixe isso no histórico de buscas. :)”, sugeriu, por exemplo, atomicsiren. “Você poderia ser sutil como um elefante e perguntar para ele o que ele pensa sobre casamento gay ou qualquer assunto como esse quando isso aparecer na TV ou no rádio… então você pode compartilhar sua opinião sobre o assunto e deixar claro que, gay ou hétero, você o ama incondicionalmente e sente orgulho por ele”, opinou ikonoclasm. “Meu pai não se sentia muito confortável em ‘falar’ sobre isso depois que eu contei, mas alguns meses mais tarde, quando eu acordei depois dele ter saído para o trabalho e me sentei em minha escrivaninha, encontrei um jornal aberto na página de esportes com a manchete ‘Meu filho é gay. Não que isso faça diferença para mim.’. Com certeza não foi por acidente. Eu sempre fui grato por esse gesto”, relembrou elysianism.

Semana passada HeMeYou postou um update relatando como lidou com a situação:

Em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer a todos que comentaram e me deram conselhos em meu último post. Ele recebeu tanta atenção que não seria justo deixar vocês sem um update.

Muitos sugeriram que eu deveria dar deixas de que eu não tenho problema nenhum em ter um filho gay, e deixar que ele criasse a coragem de dizer as palavras ‘eu sou gay’, o que eu considerei ser uma ideia muito boa.

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De início eu comecei a conversar sobre as notícias em geral com ele, por exemplo eu comentei que incrível que era o Tim Cook (CEO da Apple) se declarar gay, e perguntei  o que ele achava disso. Eu esperava que ele desse uma resposta normal de adolescente, como “É… boa” ou algo assim, mas na verdade ele me respondeu com detalhes, o que eu achei excelente porque pela primeira vez em muito tempo eu tive uma conversa com meu filho que foi realmente… compensadora.

Eu também queria falar para ele que eu percebi que ele não tem se comportado com tanta alegria quanto era de costume, então eu soltei todo aquele clichê de “eu te amo, não importa o que aconteça, eu só quero ver você feliz”, mas eu não consegui uma reação dessa vez muito além de “é, eu sei”.

No dia seguinte, quando eu fui buscar ele na escola, eu resolvi perguntar sobre as paqueras dele, e eu fiz questão de não usar nada que indicasse gênero quando eu perguntasse, então ao invés de “ele” ou “ela” eu usei termos genéricos… Aqui vai o que eu lembro da conversa…

Eu: Então, você está afim de alguém? Filho: Hmmm… não… t…talvez… Eu: Uaaaaau, quem é a pessoa de sorte? Nesse momento ele meio que me olhou com uma cara confusa, não sei 100% por que, mas suponho que foi porque eu disse “pessoa de sorte” ao invés de “menina de sorte”. Filho: É só alguém da minha aula de francês… Eu: Certo… E o que você curte nessa pessoa? Filho: Ah… coisas… Eu: OK… mas… tipo o quê? Filho: Sei lá, uns negócios legais…

Nesse momento eu deixei a conversa morrer, mas antes eu disse pra ele “Bem, seja quem for, essa pessoa vai ser muito sortuda de ter você de namorado”, e, apesar de não enxergar na hora, eu tenho certeza que ele revirou os olhos por causa dos meus comentários toscos.

Na mesa de jantar mais tarde no mesmo dia, enquanto a gente estava comendo houve alguns minutos de silêncio, não havia muitos outros ruídos além do barulho dos talheres, e meu filho finalmente disse “na verdade, eu queria te contar uma coisa no carro, mas eu fiquei com medo de provocar um acidente…”

Eu levantei os olhos do meu prato e olhei ele nos olhos… Eu podia ver que ele estava pensando e tudo que eu pensava era “Deus do céu, é agora…”. Ele disse “Pai…” mais alguns segundos de silêncio “eu sou gay”.

Eu olhei para ele e não consegui conter meu sorriso, e falei para ele “______, você sabe que eu amo você muito, certo?” e eu me levantei e dei um abraço apertado. Ele até começou a chorar no meu ombro e, por causa disso, eu também não consegui conter algumas lágrimas.

Nós conversamos um pouco enquanto terminávamos o jantar sobre como não há como eu enfatizar o suficiente que eu o amo independente de qual gênero ele ama etc…

Depois do jantar e depois que ele terminou o dever de casa, nós dois nos deitamos no sofá de pijama, enquanto eu assistia a um programa no Cooking Channel e ele jogava em seu iPad.

Eu estava com um braço em volta dele e ele apoiou a cabeça em meu peito, e tudo que eu pensava era que eu era o pai mais feliz do mundo naquele momento.

(Publicação traduzida e publicada originalmente no site Lado Bi)

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