SP Invisível, as vidas que você não vê na sua timeline


SP Invisível, as vidas que você não vê na sua timeline 1
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Os segundos, minutos, horas e dias passam sem você nem ver. Quando se presta atenção, de segunda já é sexta e já é segunda-feira de novo, já se passou um mês, um ano e já esta falando para os conhecidos que se está ficando velho porque você viu tal pessoa crescer, ou uma outra entrar na faculdade.

Muitas coisas passam “invisíveis” nas nossas vidas, e em São Paulo então, é de costume as pessoas andarem de pressa, se encararem e até se esbarrarem e nem se quer tiram os olhos do celular enquanto andam. As vidas das pessoas nas timelines do Facebook e outras mídias sociais mostra só o que há de bom, só felicidade. Mas o que está no espaço em branco entre uma foto e a outra?

Foi assim que nasceu a idéia do SP Invisível, uma comunidade das mídias sociais criada por 4 estudantes universitários que mostra a história de pessoas como elas realmente são, pessoas essas que não tem Facebook, e que você passa por elas e nem vê. Eles entrevistam moradores de rua, catadores, artistas de rua e profissionais menos reconhecidos por SP para saber as histórias que existem por trás delas, suas alegrias e tristezas, a maneira com que eles veem o mundo e seus acontecimentos.

É realmente emocionante muitas das histórias. Vamos ver algumas:

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“Meu nome é José Morais, ‘Morais’ com ‘i’, tenho 63 anos e aqui é meu apartamento, tô há cinco anos na rua. Conhece aquela história do ‘Diga-me com quem tu andas que te direi quem tu és’? Então, minha mulher e minha cunhada viviam bebendo, simplesmente não quis mais viver com elas e vim pra rua. Hoje tô de boa, converso com meus filhos, eles entendem minha decisão e tá tudo ok.

Não bebo, não fumo, na rua é um sossego, não mexo com a rapaziada, respeito pra ser respeitado. Todos os dias faço minha oração, corro uns 45 minutos, vou olhar uns carros pra ganhar um trocado, almoço na faixa em qualquer lugar da região porque o pessoal dos restaurantes me respeita, volto pro trampo, faço uma oração e vou dormir.

Não vou falar que é fácil, mas na rua a gente tem que ter jogo de cintura e boa cabeça pra não cair nas tentações, é rapidinho pra se perder em droga, bebida e ir pro caminho errado. Tem que seguir no caminho da Palavra, a Bíblia que me ensina a conversar, respeitar e amar os outros.

Já trabalhei de tudo, na roça, em mercado, na Lapa, no Estadão. Sou de Minas, vim novinho pra São Paulo procurar emprego. Quando ganhava dinheiro gostava de passear, achava uma grana bem gasta, mas aí você cresce, tem filhos, netos e vê que, melhor do que usar pra passear, é usar o dinheiro pra cuidar das pessoas.”

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“Meu nome é Bruno, tenho 24 anos e vim lá do Paraná. Faz 60 dias que cheguei em São Paulo, mas logo que pisei aqui, roubaram todos meus documentos e agora tô na rua. Não é fácil não, ganho um dinheiro olhando carro, mas o foda é que eu uso muita droga, uso de tudo, menos maconha.

O que eu mais sinto falta é de um abraço, uma risada, uma conversa tipo a nossa assim, dessas coisas, cara. Minha mãe me abandonou quando eu era moleque ainda porque nasci com uma deficiência. Cresci com a minha avó, mano, ela é tudo pra mim, mas não quero voltar lá pra dar trabalho, quero me arrumar, parar de usar droga e trabalhar pra voltar bem e ser orgulho pra ela.

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Na rua não existe parceiro, às vezes você bebe e dá risada com o cara e quando vai dormir, o cara te rouba. Só que eu acredito que educação vem de berço, por mais que tenha uns que tão nessas, meu corre é sempre adiantar os outros, nunca atrasar.

Outro dia, um senhor deixou cair 250 reais no chão na farmácia, eu avisei pra ele ao invés de pegar pra mim, recebi 50 mais a amizade e a gratidão do cara. Então, mano, o que interessa é ser honesto e fazer o seu trampo, que as coisas dão certo.”

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“Boa tarde amigos, você está sintonizado na alternativa FM e eu sou o José.” Era assim que eu me apresentava quando eu começava o meu programa. Sim, há 20 anos eu trabalhava de radialista, era só alegria, eu amava falar pra todo mundo na rádio.

Eu era jovem, tinha 22 anos. Ganhava bem, tinha minhas namoradas, meus amigos e a coisa que eu mais gostava de fazer era jogar minha bola, eu era o Neymar da minha galera. Só que teve uma época que a rádio tava demitindo todo mundo e eu fui nessa. Entrei em depressão, vim morar na rua, fiquei sem trabalhar até o dia em que virei pedreiro.

Eu tava me organizando de novo na vida, tava bem, na rua, mas bem. Só que teve um dia que marcou minha vida, troquei meu emprego por uma cadeira de rodas, cai do andaime de uma obra.

Na rua é difícil, sofro um preconceito danado. Como eu trabalho no farol, as pessoas me maltratam, fecham o vidro, acham até que eu sou ladrão! Consigo nem correr, minha cadeira tá toda estourada, como vou ser ladrão?!

Queria só minhas pernas de volta, mas como não dá, só me resta essa cadeira velha. “

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“Muita gente não acredita, mas eu não uso droga, nem bebo. Já tenho um histórico na família, meu pai chegava drogado e bêbado em casa querendo bater em todo mundo, não era legal. Minha brisa mesmo é só curtir o meu skate. 
Meu nome é Anderson, tenho 20 anos. Eu vim pra rua por causa das discussões com a família, faz 3 anos que eu to aqui. Como eu disse, meu pai é dependente químico. Aí um dia a gente cansou, eu vim morar na rua, e meus irmãos e minha mãe foram pra uma casinha. Hoje, meu pai mora sozinho, mas não falo mais com ele.
Eu até poderia morar na casa da minha mãe, mas não quero não. Visito ela de vez em quando, a gente troca ideia, mata a saudade, mas já me acostumei com a rua, não consigo mais ficar dentro de uma casa e não gosto de onde ela mora.
Eu quero virar skatista profissional, comecei a andar quando vi a rapaziada na Roosevelt, no Anhangabaú. Tem um menino que é profissional que aparece aqui na feira de vez em quando e me ensina, a gente conversa, anda, mas ele tá num nível bem superior. Se Deus quiser e eu tiver foco, eu consigo. Se é pra ter um vício, o meu vício é o skate.” #SPinvisivel #SP

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