Verônica Hipolito é prata nos 100m na Paralimpíada do Rio: vai, Magrela!

Tudo na vida da atleta paralímpica Verônica Hipólito contribuiu para que ela se tornasse uma pessoa triste, mau humorada, amarga. Mas o sorriso e o bom humor fazem dela a “queridinha” da delegação brasileira nos Jogos Paralímpicos Rio 2016.

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Um sorriso que ficou ainda maior com a conquista da medalha de prata nos 100m rasos na classe T38 (paralisia cerebral). Hipolito disputou a prova com um tumor no cérebro e sem 90% do seu intestino grosso.

A luta contra o câncer começou cedo, quando ela tinha 12 anos de idade. Na época, ela foi diagnosticada com a doença durante um exame de rotina com sua ginecologista. Passados dois anos, ela sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Mas, a sua luta contra a doença não parou por aí. No ano passado, para evitar um risco de câncer, Hipólito retirou 90% do seu intestino grosso

“Se eu tiver que operar de novo, posso fazer, porque sei que vou voltar ainda mais forte. Na pré-cirurgia eu corria 13 segundos. Pós-cirurgia, estou correndo 12 segundos. Se eu operar de novo, vou correr 11 segundos”, disse sorridente em entrevista para o site UOL.

Verônica bateu o recorde paralímpico na semifinal dos 100 metros rasos femininos, mas foi superada na grande final pela britânica Sophie Hahn, que ficou com o ouro.

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Contente com a prata, a jovem de 20 anos sabe que o nível da competição aumenta a cada nova edição dos Jogos:

“As três primeiras em Londres não pegavam medalha aqui. A T11 é quebra de recorde atrás de recorde. Na minha classe também. Aqui não são deficientes brincando de correr, de nadar, de jogar bola. Aqui é alto rendimento. Sua história fica para trás. Minha cirurgia, o AVC… Fica pra trás. E isso faz as coisas ficarem mais divertidas”.

Por causa do biótipo franzino, Verônica ganhou o apelido carinhoso de “magrela”. Ela leva numa boa, sempre com bom humor, e lembra da primeira vez que alguém gritou pra ela: “Vai, magrela!”.

“Eu estava treinando com um paraquedas e, de repente, bateu um vento contra que me levou para trás (risos). E aí o pessoal ficou gritando ‘vai, magrela! Vai, magrela!’ e pegou (risos)”.

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Depois de terminar sua participação nos Jogos – ela ainda vai competir no salto em distância e nos 400 metros – a “magrela” vai poder desfrutar das suas tão sonhadas férias, e sem restrições:

“Eu quero comemorar muito. Prometi churrasco. Então vai ter churrasco! Quero fazer tudo aquilo que, de repente, não tive oportunidade de fazer nos últimos anos por causa de cirurgias e treinamentos. Quero viajar para lugares que eu ainda não conheço. Quero reencontrar meus amigos do colégio que não vejo há três anos. Quero comer tudo que eu não pude comer. Leite condensado… Quem quiser me enviar uma caixa aí…Alô, patrocinadores (risos)! Eu vou ter umas duas semanas de folga e nelas eu não serei atleta (risos)! Porque quando acabar, eu terei mais quatro anos de atleta e vou me dedicar muito, muito, muito para isso.”

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