Vestidas de rosa e com bastões na mão, indianas criam grupo de autodefesa contra machismo

Entre o Taj Mahal e a cidade de Varanasi, o histórico de mulheres agredidas e humilhadas passa de milhões. E além de violadas são obrigadas pelo estado hindu de Uttar Pradesh a permanecerem caladas.

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Para ter ideia, na cidade 38% das mulheres sofreram algum tipo de abuso físico ou sexual, de acordo com a Terceira Pesquisa Nacional Sobre Saúde Doméstica, de 2006.

Há 30 anos, Phoolan Dev, uma mulher de baixa casta, resolveu se vingar de seus estupradores e assim tornou-se a “rainha dos bandidos”. Isso a tornou conhecida e anos depois se tornaria Deputada. Mas, durante seu mandato em plena democracia, foi morta a tiros.

Isso que Phoolan viveu bastante se considerar todas as meninas que morrem “acidentalmente” queimadas, afogadas ou golpeadas logo que nascem.

Porém, em 1980, Sampat Pal Devi aos 16 anos resolver vingar o marido abusivo de uma conhecida e, após reunir um grupo de mulheres, bateram no homem. Esse acontecimento foi o começo de um movimento que inspira mulheres em todo o mundo.

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Hoje, aos 51 anos, Sampat comanda o Gulabi Gang (Gangue de Rosa), um grupo com pouco mais de 270 mil mulheres vestidas com saris rosas e armadas com lathis (bastões de madeira de um metro e meio de largura).

O principal objetivo do grupo é mediar conflitos domésticos, arrumando casamentos, denunciando a corrupção de burocratas e, se necessário, usando lathis para revidar abusos.

“Normalmente prefiro usar a razão”, afirma Sampat. “É melhor convencê-los a fazer o correto. Quase nunca tivemos de chegar a usar a violência”.

Uma curiosidade é que o rosa não tem a ver com a questão feminina. “Queríamos ter algo que não tivesse relação com os partidos [políticos] e nenhum usa rosa. Por isso escolhemos essa cor”, explica Pal Devi.

Além da autodefesa, em 2010, elas utilizaram as doações e criaram uma escola para os filhos das castas mais baixas e os povos indígenas do país. “As mulheres das comunidades têm de estudar e se tornar independentes para decidir suas vidas”, disse ao The Guardian.

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Outra de suas lutas é para acabar com casamentos infantis. Para isso, capacitam jovens a usarem máquinas de costura.  também ensinam a fazer pratos feitos com folhas de árvore, que são bastante populares em festas e bodas, e hoje fornecem trabalho para mais de 200 mulheres diariamente.

Mas a fama trouxe acusações e ela chegou a ser destituída de sua posição. “As acusações contra mim não têm fundamento e eu responderei a elas… Tenho sido uma lutadora e vou superar isso também”, Sampat declarou à imprensa.

Mas após meses foi restituída. E assim, mais uma nova estapa no grupo começou, agora com núcleos em várias cidades. “A missão da gangue é erradicar os males sociais e questionar o sistema de castas, dar poder às mulheres e lutar pelos direitos dos pobres”, explica.

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gulabi

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UTTAR PRADESH, INDIA - 2011/12/10: Members of Gulabi Gang put their newly learned skills into actions. The Gulabi gang, or "the pink gang" as in direct translation from Hindi, is a group of women who basically take justice in their own hands. Out of desperation in the government officials' incompetency in dealing with abusive and domestic violence, Sampat Pal Devi forms the Gulabi Gang. Its main purpose is to help promote better living conditions for women around India. After being in operation for more than half a decade, the Gulabi Gang is reported to have more than 20,000 members and has saved thousands of women's lives across the country.. (Photo by Jonas Gratzer/LightRocket via Getty Images)

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Fonte: OperaMundi / Fotos: Divulgação

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