Você entende esta receita médica? Nós também não e um estudante fez um aplicativo para facilitar nossa vida

Por Ana Paula Santos

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

“Minha avó sempre tomou muitos remédios e não entendia”, diz Rogério Malveira, 23, que passou os últimos 6 anos na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará. Durante esse período, viu muitos pacientes não entenderem o que é realmente saúde por conta da forma a receita é passada pelos médicos e sempre tentou pensar em algo para mudar essa situação.

Quando era criança, Rogério gostava de fazer as pessoas entenderem as coisas e de brincadeiras como Caça ao Tesouro. Já pequeno criava projetos sociais na escola e gostava de ir ao médico pediatra. O mesmo que participou do parto de sua mãe e foi um dos primeiros a pegá-lo no colo, também foi seu professor na UFC.

Durante a faculdade, participou de uma ONG voltada para estudantes de medicina e por dois anos atuou como Diretor Nacional de Direitos Humanos e Paz. Neste período, se envolveu em campanhas de conscientização e participou da Palhaçoterapia, algo que o acompanha até os dias de hoje e que fez com que seus olhares fossem atraídos para a humanização do atendimento. Mas foi quando teve a oportunidade de participar de um projeto da ONU dentro da UFC é que viu de perto a questão do analfabetismo funcional e passou a enxergar a saúde como direito humano.

rogerio-carla-11

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

Não é de hoje que percebe-se pessoas reclamando das letras esgarranchadas de médicos. Para Rogério, quando a comunicação não é feita de forma eficiente, impacta todo o sistema de saúde. “Minha avó tem 83 anos e sempre tomou muitos remédios. Ela tem uma acompanhante que vai com ela às consultas, mas nenhuma das duas entendia muito bem as receitas médicas”, conta.

“TODOS TÊM DIREITO A UM BOM PADRÃO DE SAÚDE, COMO ESTÁ NA DECLARAÇÃO UNIVERSAL”

A ideia, algo relacionado a forma de comunicar saúde, já era algo que ficava em seu inconsciente. No entanto, o grande estalo veio quando estava em uma aula e teve a ideia de usar pictograma para ilustrar a orientação de como a pessoa deve consumir a medicação. Foi pra casa e escreveu. Uma semana depois, viu o vídeo de divulgação do SGB Lab no Facebook. Convidou uma amiga de infância para apostar na nova empreitada com ele e recebeu um sim. Carla Tenecy trabalha com Publicidade mas também estava à procura de novos ares. E os dois decidiram se inscrever. De Fortaleza para Floripa, o jovem teve a experiência que mudaria a sua vida completamente. Hoje, no desenvolvimento da iniciativa Letras de Médico, a vontade da dupla é transformar o modo como as receitas médicas são passadas. “Trabalhei muito tempo em empresas de publicidade buscando um algo a mais, mas nunca aconteceu. Quando o Rogério me contou da ideia senti que era algo que devia ir, que tinha esse algo a mais. E desde então, só tem sido incrível. É muito bom estar em um projeto grande que você confia muito”, diz Carla.

Segundo o estudante, o Brasil tem quase 28 milhões de analfabetos funcionais. Para essas pessoas, ele desenvolveu um software inovador que pode ser usado pelo médico, que gera uma receita médica adaptada à realidade do paciente. Usando pictogramas e design de informação, por meio de desenhos ilustrativos, o Letras de Médico contribui em até cinco vezes o entendimento do que foi passado pelos pacientes. “Também criamos informação médica fácil e adaptada que vai no verso da receita, o que guia o médico de forma objetiva na hora de orientar o paciente”, ressalta.

Os empreendedores foram às ruas de Fortaleza para perguntar o que os pacientes entendem das receitas médicas e o resultado fortalece a proposta de valor da iniciativa.

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

O modelo de negócio é por meio de assinaturas mensais ou semestrais, sendo o material adaptado criado sob demanda dos usuários. Além disso, um acompanhamento à distância do paciente será implantado, garantindo adesão e informação médica adaptada contínua.

Seu sonho é ver as pessoas terem acesso a uma saúde que entendam e também que a saúde seja reconhecida como um direito humano em si. Rogério espera, com a sua iniciativa, a humanização do atendimento médico, além de estimular o empoderamento do paciente e diminuir as complicações e os gastos em saúde. Uma vontade ainda é fazer residência em Psiquiatria Infantil, porque segundo o jovem “sem saúde mental você não conhece o que é ter saúde plena”.

Rogério foi finalista do Lab e se apresentou no palco do Seminário SGB, promovido pela organização. Sua iniciativa foi premiada em 2o lugar com um fundo de investimento semente no valor de R$ 16 mil. O programa, pioneiro no apoio a projetos de impacto social, está com inscrições abertas para a edição 2016 até 3 de abril pelo site sgb.org.br/lab

PUBLICIDADE

CONTINUE LENDO ABAIXO

tela_cena

Texto originalmente publicado em SOCIAL GOOD BRASIL.

Quer ver a sua pauta no Razões? Clique aqui e seja um colaborador do maior site de boas notícias do Brasil.

CanaisPatrocínios
Marcas que nos apoiam

MARCAS QUE NOS APOIAM


Quer receber boas notícias todas as manhãs?

1,102,320FãsCurtir
3,444,158SeguidoresSeguir
25,464SeguidoresSeguir
11,200InscritosInscrever

+ Lidas

Pitbull protege irmãs perdidas em floresta na Itália durante 6 horas

Margot manteve as garotas em segurança durante as 6 horas em que elas estiveram perdidas na floresta.

Dono deita no lago com seu cão doente, para que ele consiga dormir com menos dor

Este é o Shep, de 19 anos, carregado nos braços pelo seu pai no início desta semana, no Lago Superior. O Shep adormece todas...

Ilustrações incentivam pessoas a cederem seus lugares para gestantes

Isso deveria ser consenso geral, mas ainda temos que avisar e lembrar sobre questões de respeito e gentileza. Se você é do tipo que ao...

Professor adota aluno órfão que precisava de um transplante de rim

Um professor de matemática do ensino fundamental decidiu adotar um de seus alunos, que morava em um orfanato, para viabilizar sua entrada na fila...

Instagram